Receitas com estádios dos clubes brasileiros caíram pela primeira vez em 5 anos

Por Amir Somoggi

Ao longo dos últimos anos venho analisando o desempenho dos times brasileiros com as receitas geradas com seus jogos.

Para analisar esse dado considero as receitas geradas com bilheteria, sócio torcedor e outras explorações do estádio/arena, no caso de alguns clubes que disponibilizam essa informação.

Esse modelo de análise adequa o mercado brasileiro ao que já se faz há décadas no mercado europeu e norte-americano, com o conceito de matchday revenue.

Depois de uma forte expansão nos últimos anos com as novas arenas, o mercado no Brasil sofreu sua primeira retração em cinco anos.

Em 2015, todo o mercado de clubes faturou R$ 795 milhões com os estádios, valor que caiu 8% em 2016 atingindo R$ 735 milhões.

Estes números poderiam ser maiores não fosse a ausência de informação das receitas de clubes importantes, como Corinthians e Grêmio, que não disponibilizam dados de bilheteria. Ambos, por conta de seu modelo de parceria para a gestão de suas novas arenas não ingressam recursos de bilheteria.

O clube que mantém a liderança no ranking de receitas com estádio é o Palmeiras, que faturou R$ 103,9 milhões em 2016, queda de 13% em relação a 2015. Em 2014 as receitas do clube eram de apenas R$ 35,1 milhões.

Em segundo ficou o Internacional com faturamento de R$ 75,3 milhões, redução de 11% na comparação com o ano anterior. Chama a atenção o clube gaúcho ter caído para a segunda divisão, mesmo com esse volume elevado de receitas.

Em terceiro no ranking aparece o São Paulo com R$ 68,3 milhões, aumento de 7% em relação a 2015. O tricolor é único clube que mesmo sem mandar suas partidas em uma nova arena consegue se manter no topo dos clubes que mais faturam com seus jogos no Brasil.

Na quarta posição ficou o Flamengo com R$ 65,8 milhões, com redução de 10% na comparação com 2015 quando gerou R$ 73,3 milhões.

Na sequência aparece o Grêmio com R$ 53,0 milhões, aumento de 15%, Atlético-MG com R$ 47,1 milhões crescimento de 24% e Atlético-PR com receitas de R$ 42,3 milhões, evolução de 17%.

Os dois Atléticos e o Grêmio foram os clubes que apresentaram os maiores crescimentos com seus jogos no Brasil no ano passado.

Chama muito a atenção a queda acentuada do Cruzeiro, que em 2014 faturou R$ 85,8 milhões e liderou o ranking e no ano passado gerou apenas R$ 31,4 milhões com seus jogos.


A queda nas receitas do mercado em 2016 foram causadas por vários motivos.

O primeiro deles foi o fim do efeito novidade das novas arenas, já que muitos clubes naturalmente viram suas receitas caírem, mesmo com bom desempenho.

O segundo fator foi a crise do país, que afetou o poder de consumo dos torcedores, especialmente na aquisição de ingressos.

Outro motivo foram os problemas de alguns clubes com o local de seus jogos, como o caso do Flamengo e Fluminense, que viram suas receitas caírem por problemas com o Maracanã e o Botafogo com o estádio Nilton Santos.

E finalmente o problema crônico do futebol brasileiro, já que os ganhos com os jogos estão intimamente ligados ao desempenho dos times nas competições.

Fator que somente vai ser resolvido com a presença da venda antecipada das cadeiras, como escrevi aqui na semana passada.

Distância para a Europa é brutal.

O mercado global de exploração de arenas movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.

O mercado brasileiro representa irrisórios 0,46% do total.

Uma gota em um oceano de gigantescas receitas. Manchester United é o clube que mais fatura com estádio na Europa e gera mais de R$ 480 milhões por ano. Na sequência aparece o Arsenal com R$ 468 milhões, Real Madrid com R$ 425 milhões e Barcelona R$ 425 milhões.

Apenas dois clubes da Europa movimentam muito mais dinheiro com seus estádios do que todos os clubes brasileiros juntos.,

Perdemos de goleada!

Fonte: Lance!
https://futebolpensadoblog.wordpress.com/2017/07/02/receitas-com-estadios-dos-clubes-brasileiros-cairam-pela-primeira-vez-em-5-anos/

Corinthians arrecada em 2016 menos da metade do que projetou na Arena

A meta para 2016 foi reduzida para R$ 127 milhões, de acordo com a proposta orçamentária apresentada em dezembro de 2015, mas o estádio arrecadou pouco mais de R$ 80 milhões até agora e deve fechar o ano em cerca de R$ 90 milhões brutos, 30% abaixo da meta e menos da metade da projeção inicial.

LEIA MAIS: Construtora nega perigo à torcida na Arena Corinthians após vazamento

Desse valor, são descontados cerca de R$ 2,5 milhões gastos por mês com manutenção.

Além dessas despesas, o clube tem de pagar R$ 5 milhões por mês para quitar o empréstimo do BNDES. Tem prazo de 12 anos para isso. Mas o Corinthians renegocia com a Caixa Econômica Federal, banco público designado para repassar o valor, a extensão da carência – que era de 19 meses, ao contrário dos 36 meses dados a outros estádios do programa ProCopa (linha de financiamento do BNDES para as obras).

– Todas as arenas que utilizaram o programa ProCopa do BNDES têm 36 meses de carência, e o Corinthians teve só 19 meses de carência. Solicitamos extensão de 17 meses e iniciamos a negociação por isso – afirma o diretor financeiro do Corinthians e do fundo que administra a arena, Emerson Piovezan.

– Começamos a fazer a gestão da arena no começo de 2015 porque em 2014 estava locada à Fifa, com as arquibancadas móveis, terminou a Copa teve de desmontar. Tudo isso atrapalhou. A gente não tinha como fazer uso adequado da arena. Isso nos levava a um problema de dificuldade na busca de receita para honrar as PMTs (Pagamento Mensal das Prestações) que estamos falando. Só que o prazo da carência já corria. A Caixa se sensibilizou e a partir daí passamos a discutir vários outros pontos – completa o dirigente.

Piovezan explica que a presença da torcida na arquibancada é muito boa, mas se esperava mais receitas com cadeiras e camarotes.

A gente alcançou muito pouco (da meta). Nossa capacidade de geração de receita é boa, só que em função dessa realidade do país não conseguimos explorar tantas propriedades
Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, sobre a arrecadação

– A gente alcançou muito pouco (da meta). Nossa capacidade de geração de receita é boa, só que em função dessa realidade do país não conseguimos explorar tantas propriedades. Nós tínhamos uma meta de R$ 127 milhões em 2016, atingimos até o momento R$ 80 milhões, R$ 90 milhões, incluindo bilheteria. O que acontece? Essa engenharia financeira parte de alguns princípios: quanto tem capacidade de arrecadação a arena? A meta é R$ 70 milhões ou R$ 80 milhões de bilheteria, o resto de outras propriedades. Neste ano, atingimos a meta de bilheteria, mas não explorando as outras propriedades que é cadeira, camarotes.

Com a negociação, foram suspensos pagamentos de parcelas até abril. Desde maio, o clube paga somente os juros correspondentes à dívida, ficando com duas parcelas a serem incorporadas à negociação no futuro próximo.

Alguns fatores limitam a receita e travam a engenharia financeira projetada pelo Corinthians.

1) A principal delas é a venda do naming rights, que deveria ter sido fechada até fevereiro de 2012 e que renderia R$ 400 milhões em 20 anos (R$ 20 milhões por ano);

2) O clube também não consegue negociar outras propriedades do estádio. Dos 89 camarotes, apenas 14 estão alugados;

3) O aluguel de cadeiras especiais (as chamadas PSL) também é decepcionante. Das 9,6 mil, foram vendidas menos de 3 mil.

A prometida venda dos “naming rights” empacou. A diretoria não admite má gestão e culpa a crise financeira no país

O clube não admite má gestão e culpa a crise financeira no país. É o que diz o ex-presidente Andrés Sanchez.

– Não está vendendo camarote como a gente pensou que ia vender, aí entra o problema econômico do país. O país era um, agora é outro. Não se vendeu as dez mil cadeiras (9,6 mil) que tinha pra alugar, só alugou duas mil e pouco; dos 89 camarotes só vendeu 12 ou 13… Então, só com isso aí você deixa de arrecadar R$ 50 milhões, R$ 60 milhões por ano. Infelizmente, o país é outro. Não no custo da obra, na venda dos ativos do estádio, caiu bastante – diz Andrés, que ainda participa da administração da Arena Corinthians.

O prazo para quitar a dívida do estádio, que já custa R$ 1,2 bilhão incluindo juros, é 2028. Antes disso, o Corinthians espera atingir o “mundo perfeito”.

– O que viria a somar e muito é no dia que nós quitarmos o estádio, toda receita que o estádio gerar, é uma coisa só, vira caixa único. Não sei se vamos levar cinco, sete ou dez anos para atingir isso, mas quando acabar, o Corinthians passa a ter uma nova receita, bilheteria… Seria o mundo perfeito – diz o presidente Roberto de Andrade.

– Eu, como corintiano, sempre sonhei ter um estádio. O estádio custou caro e nós temos de pagar. E acreditamos que, com a força da nossa torcida, vamos pagar. É uma questão de adequar a forma de pagamento. Quando o estádio estiver totalmente pago, será de grande importância para o clube. Imaginem uma receita (líquida) com mais de R$ 100 milhões por ano para o clube só com o estádio – completa Emerson Piovezan.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2016/11/corinthians-arrecada-em-2016-menos-da-metade-do-que-projetou-na-arena.html

2o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas aconteceu em São Paulo com grande sucesso

Aconteceu com grande sucesso nesta última quinta-feira em São Paulo, o 2o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas, evento organizado pela Trevisan Escola de Negócios e Arenaplan Consultoria. O evento busca debater os problemas atuais da gestão dos estádios brasileiros promovendo a troca de informações e novas idéias.

Nesta edição grandes nomes estiveram presentes. Além das palestras e debates, o público teve o oportunidade de conhecer a literatura especializada da Editora Trevisan e realizar um networking com os líderes da gestão de arenas no Brasil além de conhecer as novas tecnologias e tendências para o futuro, como o Cashless.

O público pôde testar, usando a tecnologia da Arenaplan, a emissão de recibos de pagamento direto em terminais de autoatendimento que ajudam a eliminar as filas com uso de cartões Contactless pré-pagos.

Rogério Dezembro, diretor de novos negócios do Allianz Parque abriu o círculo de palestras mostrando que a nova arena do Palmeiras vai sediar os jogos do clube inovará no segmento de eventos na capital paulista sendo um dos espaços de eventos mais utilizados na cidade. Além da modernidade do projeto ele também fez um upgrade no clube social palestrino dando benefícios extras aos sócios. Em 2013, um relatório divulgado pela Arenaplan previa que a nova arena paulista seria líder em receitas no setor. O diretor aproveitou para convidar os organizadores para realizar lá a terceira edição do evento.

A seguir houve o primeiro um debate sobre os primeiros anos de operação das novas arenas no Brasil, coordenado pelo presidente da Faculdade Trevisan, Antoninho Trevisan que criticou a organização dos jogos Olímpicos da Grécia, pois os organizadores acreditavam que o evento esportivo se pagaria sozinho,  porém o que se viu é que os turistas pouco compraram no país contribuindo para o fracasso financeiro dos jogos, um grande aviso para o projeto brasileiro.

O presidente do Maracanã, Sinval Andrade, comentou sobre os desafios de comandar todo complexo do Maracanã, hoje divididos em várias concessões. Mauro Guilherme Araújo, o presidente da Arena das Dunas, um dos projeto de estádios mais criticados antes da copa, mostrou que a arena já realizou mais de 45 eventos neste ano. Em seguida, Mauro Tostes, diretor de operações da Arena da Baixada do Clube Atlético Paranaense demonstrou o desafio de preencher 300 dias livres da agenda para realização de eventos em uma obra que ainda não foi finalizada.

A palestra de Marcus Henrique Duarte, coordenador de Ticketing & Access do Maracanã que mostrou que o torcedor hoje já pode comprar seu ingresso com facilidade pela internet escolhendo o setor desejado, melhor que a maioria dos estádios no país. A seguir houve o painel de debates sobre as empresas como parceiras, coordenado pelo diretor da Arenaplan, Márdel Cardoso. O tema do debate expôs projetos de rede de Fast Food de clubes, apresentado pelo Fernando Ferreira, diretor da Sport Food, o trabalho de gestão de camarotes da Goldem Goal, pelo seu diretor Ricardo Hinrichsen além da posição atual do grupo AMBEV, feita pelo seu gerente de marketing corporativo, Rafael Pulcinelli que procurou mostrar que o foco do grupo é o projeto de sócio torcedor.

Uma das tônicas do debate foi sobre a área de Cashless, tão amplamente utilizada pelos estádios americanos e europeus e ainda inexploradas no país. Márdel propôs que os os parceiros dividissem o investimento na tecnologia para poder explorar os hábitos de consumo do público, ampliando as receitas e melhorando a estratégia de ativações com seus clientes, em vez de deixar todo o investimento a ser feito pelo operador de catering como acontece hoje.

No período da tarde,  Mauricio Sales, coordenador do Curso de Gestão de Arenas da Trevisan, expôs o trabalho durante a copa do mundo de 2014. Em seguida houve o debate sobre as estratégias para resolver o problema da segurança nos estádios onde participaram o Maurício Balassiano, diretor de Tecnologia da Certisign, Andrey Reis, Security Specialist na Rio 2016 e Camilo D´ornelas, Gestor de Safety & Security do Complexo Maracanã. Durante o debate ficou claro que enquanto houverem torcidas organizadas os gestores precisarão criar uma esquema especial para isolar este tipo de torcedor dos outros setores do estádio comentando sobre o bom trabalho realizado no clássico entre Flamengo e Atlético-MG onde não houve um incidente sequer.

A última palestra foi de Ricardo Gomes, CEO da Sstudio Marketing mostrando que vários outros eventos esportivos podem ser realidos nas arenas, fora do futebol. O evento fechou com o debate sobre as estratégias de engajamento de público nos estádios de futebol liderado pelo Fábio Porto, Superintendente de Novos Negócios da Portuguesa. Alexandre Ferreira, novo gerente de marketing do Corinthians mostrou que a nova arena ajudou o clube a ampliar o projeto de sócio-torcedor e a média de público do clube. Porém expôs que o mercado brasileiro ainda reluta em investir em projetos de naming rights.

André Monnerat,  gerente de programas de relacionamento e marketing digital do Flamengo comentou que a torcida não abraçou o Engenhão pois sabia que aquilo era temporário, o que dificultou para o clube realizar ações no local. Jorge Avancini, diretor de marketing do Internacional mostrou que o clube já possui 3 níveis de  estratégia de preços de ingressos dependendo da importância do espetáculo, saindo a frente de muitos clubes do país.


Terminais de AutoAtendimento da Arenaplan
e Caixas Cashless


Recepção


Quase 90 presentes compareceram
durante o dia no evento

Rogério Dezembro, Diretor de Novos
Negócios do Allianz Parque

Mauro Tostes, Presidente da Arena das Dunas
e Antoninho Trevisan, presidente da
Faculdade Trevisan


Mauro Araújo, presidente da Arena das Dunas
e Sinval Andrade, Presidente do Maracanã


Jorge Avancini, Diretor de Marketing do Internacional e Fábio Porto, Superintendente
de Novos Negócios da Portuguesa

Alexandre Ferreira, gerente de marketing
do Corinthians e Andre Monnerat, gerente de programas de relacionamento digital do Flamengo

Márdel Cardoso, Diretor da Arenaplan na coordenação
de um Debate sobre Empresas Parceiras das Arenas.

Da esquerda para direita, Márdel Cardoso, Diretor da Arenaplan, Jorge Avancini, Diretor do SC Internacional e Maurício Balassiano, diretor da Certisign.

Fonte: http://www.arenaplan.com.br/forum3/index.php?option=com_content&view=article&id=41:2o-forum-de-gestao-de-estadios-e-arenas-aconteceu-em-sao-paulo-com-grande-sucesso&catid=12&Itemid=142

 

Parceira do Palmeiras, W/Torre sonda Flamengo sobre projeto de estádio

Parceira do Palmeiras, W/Torre sonda Flamengo sobre projeto de estádio

rodrigomattos

22/05/2015 08:00

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Julio Cesar Guimarães/UOL

Sonho do Fla de gerir Maracanã fica distante, o que abre espaço para alternativas

Construtora do Allianz Parque, a W/Torre procurou a diretoria do Flamengo para falar sobre a construção de um estádio. As conversas ainda são bem iniciais. Até porque o clube não decidiu qual modelo vai adotar para projeto da casa própria que se torna cada vez mais necessária com o imbróglio envolvendo o Maracanã.

Há mais de um ano, dirigentes rubro-negros têm discutido qual a melhor solução para sediar os jogos do times. Entre as alternativas na mesa estão: tentar assumir o Maracanã, firmar uma acordo com parceiros para construção de um arena, ou levantar dinheiro por conta própria.

A quase certeza de um acordo entre a Odebrecht e o governo do Estado para o maior estádio da cidade praticamente elimina a chance de o clube ter a gestão dele. Assim, ganha força a ideia de construir uma casa própria.

Diversos parceiros já sentaram à mesa para sondagens e estudos e não deram certo. Entre eles, estavam a Odebrecht, a OAS e a Luso Arenas. A primeira tem um relacionamento de altos e baixos com o clube por conta dos problemas no Maracanã; as duas outras estão com situação financeira complicada. Aí surgiu a W/Torre.

A empresa procurou o Flamengo com uma ideia de uma parceria nos moldes do que ocorre no Palmeiras. O contato foi confirmado por duas fontes da diretoria rubro-negra. Só que não houve nenhum encontro da cúpula da construtora com o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, o que mostra como a conversa está no início.

O blog tentou falar com Walter Torre que não respondeu as ligações. Ele analisa outros projetos de estádios de clube como o do Santos: houve reunião com o presidente Modesto Roma Jr.

Uma questão do estádio rubro-negro é a falta de terreno na cidade do Rio de Janeiro. A ideia de fazer uma arena menor na Gávea não andou. Há ofertas de cidades na Baixada Fluminense como Duque de Caxias, que cederiam o terreno. Neste caso, o modelo econômico teria de ser pensado já que não há grande população de alto poder aquisitivo nas redondezas.

Além da possibilidade de fechar uma parceria, o Flamengo estuda o financiamento próprio por meio de dinheiro estrangeiro. Neste caso, precisaria de um modelo com custo baixo. Mas, para isso, o clube tem que evoluir bastante em sua situação financeira para ter credenciais para obter os recursos. Fato é que, confirmada a perda do Maracanã, os rubro-negros começarão de fato a escolher seu caminho.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/06/1641108-um-ano-depois-da-copa-oito-dos-doze-estadios-da-copa-tem-prejuizo.shtml

A estratégia descentralizada de gestão tem levado os estádios brasileiros a deixar de faturar milhões de reais anualmente – Parte 1/2

A estratégia descentralizada de gestão tem levado os estádios brasileiros a deixar de faturar milhões de reais anualmente – Parte 1/2

Categoria: Novidades Publicado em 12 junho 2015

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ARTIGO: A estratégia descentralizada de gestão tem levado os estádios brasileiros a deixar de faturar milhões de reais anualmente – Parte 1/2

O segmento de gestão de arenas ainda precisará de muitos anos de evolução para chegar perto dos padrões europeus. Mesmo depois da copa do mundo e com a organização das próximas olimpíadas o Brasil insiste em não reavaliar seu modelo de gestão de estádios e dos clubes de futebol. A estratégia de gestão das arenas ainda é parecida com a estratégia de gestão dos clubes de futebol que nunca foram um modelo de perfeição.

Alguns clubes de futebol terceirizam alguns dos seus serviços para um fornecedor exclusivo sem uma estratégia unificada estabelecida, com objetivos e regras claras para seus parceiros. Isso prejudica a construção de um modelo de receitas mais sólido e bem elaborado com visão de médio e longo prazo. A mesma deficiência foi copiada para os grandes e novos estádios brasileiros. Esperávamos que com os novos estádios tivéssemos renovado um corpo de profissionais com melhor qualificação trazendo novas fórmulas, nos modelos e experiências internacionais, porém este mercado ainda está em formação e pior, em alguns casos estamos quase 15 anos atrasados. Isso nos leva a esperar uma evolução lenta no setor. Existe ainda a falta de visão empreendedora de alguns gestores de arenas comprometendo enormemente sua lucratividade anual. Esta falha é grave e tem afetado de forma conjunta 4(quatro) pilares importantes da arrecadação deste mercado:

Alguns Problemas
Venda de Ingressos Estratégia de
Naming Rights
Operação nos bares e Restaurantes Venda de Camarotes 

Para termos uma ideia clara dos problemas encontrados primeiro vou derrubar 4(quatro) conceitos importantes que a maioria das pessoas acredita ser verdade, e depois, em outro artigo, vou dizer qual seria a solução para eles.

1 – A venda de ingressos deve ser feita com um contrato de exclusividade com uma grande empresa do setor, se possível líder, com ampla rede de postos de revendas e com um ótimo e-commerce (ERRADO)

A afirmação acima está incorreta, pois contém a palavra “exclusividade” na frase. O contrato de exclusividade para venda de ingressos claramente parece ser um problema no Brasil. Quando o clube ou arena terceiriza um serviço neste setor prefere fazer isso com um só fornecedor que em geral não se compromete com o espetáculo, apenas realiza seu serviço de revendas. Enquanto em estádios americanos muitas vezes temos vários parceiros para realizar tal tarefa, com contratos e comissões distintas negociadas de forma vantajosa para as arenas e clubes, por jogo ou temporada, e cada um deles tem sua própria estratégia de divulgação, seus limites e participação. E eles concorrem entre si para vender o máximo de ingressos possível. Isso significa que eles podem usar todas as estratégias de marketing necessárias, redes sociais, marketing viral ou qualquer outra ferramenta para promover o espetáculo e gerar vendas de ingressos, o que ajuda a aumentar a média de publico.

2 – Grandes clássicos de futebol é que geram estádios lotados e grandes rendas para os clubes (ERRADO)

Além das receitas originadas da venda de ingressos, nós estamos nos esquecendo de uma fonte importante na lucratividade do evento: os bares e restaurantes. Os grandes clássicos de futebol muitas vezes não atraem a quantidade de público desejado, e lógico, isso vai afetar a rentabilidade do evento. E mesmo que os jogos atraiam um grande público isso não vai gerar um alto consumo por pessoa no local. Muito pelo contrário. Neste tipo de jogo o consumo por pessoa cai. Em caso de decisões ou um jogo muito importante o torcedor fica tenso, preso em sua cadeira. Ele consume pouco até por que os bares estão superlotados e com enormes filas. Muitas vezes ele nem tenta ir até ele. Isso leva o torcedor a consumir fora da arena quando o faz. Ele vai se concentrar no jogo de futebol apenas quando entra no estádio. A consequência disso é uma queda no consumo per capita ou por pessoa internamente.

A grande estratégia está em promover os jogos pequenos e torná-los campeões de público e consumo. E isso está diretamente ligado ao fato de um pai levar seus filhos ou toda sua família ao campo. São os jogos menores, ou melhor, com menor importância, que podem atrair um maior volume de crianças e mulheres, e que fatalmente gerarão o maior consumo por pessoa ou renda. E nestes jogos o risco de termos problemas com segurança é menor, o que melhora ainda mais a qualidade do espetáculo. Mesmo assim, ainda que melhorássemos a venda dos ingressos e promovêssemos melhor os jogos menores para mais famílias teríamos o problema grave das filas nos bares como um grande gargalo no aumento de consumo.

O pior mesmo foram os projetos e planos de negócios das novas arenas. Ninguém lembrou que deveria ser obrigatório no estudo de viabilidade, além da planta de engenharia, ter uma infraestrutura tecnológica pronta para a operação dos bares. Além de faltar infraestrutura para os operadores de alimentos (de elevadores a equipamentos), os gestores simplesmente confiaram a eles a missão de investir em toda a tecnologia de equipamentos e dos caixas. Imagine que o operador já tem a difícil missão de manter a qualidade dos alimentos que fornece e ainda ter que desembolsar uma fortuna em equipamentos e tecnologia para conseguir operar de maneira rápida e com qualidade nos caixas. Eles tiveram que primeiro providenciar a infraestrutura de equipamentos. Falando de tecnologia alguns estádios precisariam de mais de 200 terminais de caixas para operar, mas a maioria deles não tem um só computador no caixa ou terminal de autoatendimento. Alguns deles tentaram melhorar sua operação de forma autônoma, sem apoio dos gestores, investindo do própriro bolso, operando independentemente com máquinas de baixo custo, chamados POS servindo como caixas e alugadas. Mas sem a estratégia correta, com apoio do gestor da arena o que aconteceu foram resultados da falta de experiência. Houve perda de receitas e aumento dos custos, o que levou os operadores a voltar a trabalhar com dinheiro e fichinhas. Os resultados todos já conhecem: as longas filas e operações, alguns funcionando de forma não profissional. Estes investimentos em projetos, equipamentos e tecnologia deveriam ter sido feitos pelos gestores das arenas e pelos seus parceiros. Os operadores deveriam apenas operar a estrutura existente. Cada um deveria fazer seu trabalho que sabe fazer melhor.


3 – Naming Rights significa dar nome a uma arena de futebol. E isso atrai grandes investidores (ERRADO)

Os grandes investidores e grandes marcas estão em busca de grandes oportunidades. Colocar sua marca estática em grandes, médios e pequenos outdoors nos estádios atualmente não é uma oportunidade. Neste momento de crise isso pode ser um investimento ruim. É melhor ele fazer isso em locais onde seu público alvo se concentra. E não apenas dar nome a um estádio. Pior ainda neste momento econômico, em um mercado cheio de escândalos, violência e problemas de segurança. Eles querem associar sua marca com o sucesso e trabalhar muito o mercado em que estão se colocando à frente. Eles querem conhecer e trabalhar o público que frequenta a arena e que acompanha os eventos seja localmente ou à distância. Eles querem afetar toda a região de influência do estádio ou onde ele é citado na mídia. Eles querem realizar campanhas de ativação e conhecer mais seus possíveis clientes frequentadores se possível.

E a melhor maneira de fazer isso é dar a ele acesso as informações de venda de ingressos, hábitos e comportamento de compra do torcedor. Isso vai valorizar os projetos atuais e futuros de Naming Rights. Tenho visto os projetos de Naming Rights do mercado. Fiz algumas propostas para revisar alguns deles. Muitos estão com valores anuais abaixo do esperado acreditando que assim o investidor topará o projeto, sem saber que ele está jogando fora talvez 10 anos de faturamento precioso para a arena. E isso pode significar perdas de receitas que chegam a dezenas de milhões por ano. E existem projetos no forno para novas arenas pouco divulgados ainda, mas que poderão nascer com os mesmos problemas dos atuais estádios.

4 – Os camarotes das arenas foram feitos para serem vendidos para grandes empresas (ERRADO)

Muitas empresas vão se interessar em comprar os camarotes com certeza. Mas em momentos de crise isso pode ser um investimento a ser desconsiderado. As arenas podem estar perdendo grandes oportunidades ao não dar acesso aos camarotes à parte do seu público-alvo que ainda não conheceu o serviço. O torcedor com alto poder de consumo, com alto índice de presença, que usa seu estacionamento com frequência ou que normalmente ou eventualmente compra suas cadeiras especiais poderiam ser motivados a comprar ou a compartilhar os camarotes entre si se lhe fossem dados estas oportunidades. Porque não sortear algum jogo nos camarotes como brinde por terem sido torcedores fiéis com alto poder de consumo? Ter acesso ao camarote pode motivá-lo a experimentar novos hábitos e torná-lo um cliente fiel e motivar sua empresa a adquirir tal serviço aos clientes. Mas como saber quem está consumindo mais? Se ele é muito frequente? De onde tirar estas informações qualificadas?

No próximo artigo vou abordar a solução para todos estes problemas. Aproveito para informar que este e outros assuntos serão discutidos no 3o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas, que acontecerá no Allianz Parque, dia 20 de outubro. O evento é organizado pela Arenaplan Consultoria e pela Brasil Sports Marketing e conta com apoio principal da Trevisan Escola de Negócios. O evento hoje é o maior evento de gestão de arenas e já se tornou uma referência no setor. Mais informações podem ser obtidas no facebook do evento
https://www.facebook.com/forumdegestaodearenas No próximo artigo publicarei o link do site e como obter maiores informações deste evento.

LEIA TAMBÉM A PARTE 2 DESTE ARTIGO

Márdel Cardoso é gerente de projetos, diretor da Arenaplan Consultoria, pioneira na tecnologia Cashless para estádios e soluções comerciais. Tem 27 anos de experiência em Gestão de Projetos, tecnologia e e-commerce. Tem experiência na realização de estudos de viabilidade para arenas. Bacharel em Ciência da Computação pela PUC-MG, MIT-Master Information Tecnology pela FIAP-SP, Marketing Esportivo pela Uniara-SP e Gestão de Arenas Multiuso pela Trevisan-SP. Autor de 2 livros. Foi professor durante os últimos 10 anos na Fasp, Fiap e Uninove em São Paulo de sistemas, Gestão de Projetos e Empreendedorismo. Palestrante e consultor Cashless. Leciona no curso à distância em Gestão de Projetos PMI e no curso de Gestão de Projetos Preparatório de Estádios para Vistoria da Arenaplan.Mentor do primeiro e maior evento de gestão de arenas no Brasil: o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas. Email: mardel@arenaplan.com.br