ARENA MRV poderia trocar cativas por camarotes para financiar o projeto e faturar mais

Uma análise da capacidade do estádio, camarotes e estacionamentos. Neste primeiro artigo, de uma série de oito, analisarei tecnicamente o espetacular projeto da arena do Galo, antigo sonho do clube e para aqueles que me conhecem, uma luta particular iniciada há 10 anos e que motivou a minha própria carreira na área do esporte. Depois de um longo silêncio, após encerrar há 2 anos, o ciclo do Fórum de Gestão de Estádios em São Paulo, com objetivo de levar inovações ao setor e me dedicar exclusivamente a projetos internos da Arenaplan, abrirei estes “parênteses” para algo que dá muito prazer em falar: O Estádio do Galo. Os artigos aqui expostos neste blog analisarão alguns aspectos técnicos deste grande projeto. Este primeiro artigo analisará a capacidade do estádio, o número de camarotes e vagas de estacionamento.

 A História Deste Projeto

Muitos presidentes tentaram, mas não conseguiram viabilizar o projeto. Graças à influência do ex-presidente Alexandre Kalil que preparou o clube para este grande momento e que muito honra seu pai e a família atleticana, este belíssimo projeto tomou corpo, com apoio de grandes parceiros e seguindo o projeto do arquiteto Bernardo Farkasvölgyi. Posso destacar que tudo isso é fruto e não sairia do papel sem um dos maiores atleticanos de todos os tempos e que muito respeito e um dos pilares da virada atleticana: Ricardo Guimarães. Este grande executivo e ex-presidente do Atlético-MG, não somente iniciou as bases do mais espetacular centro de treinamento do Brasil, a cidade do Galo, emprestou uma enorme quantia quando o clube mais precisava, mas também garantiu 60% da verba da venda das cativas  que completará o fundo necessário a verba para financiar o projeto da Arena MRV. Há cerca de três anos, a pedidos de um conselheiro em BH (Mussi Abuhid) apresentei-lhe a conclusão de alguns números e fluxo de caixa de um estudo de viabilidade que havia trabalhado de um estádio de porte similar à Arena MRV. Tive contato com o projeto da Arena MRV há cerca de 2 anos, quando um membro deste projeto me procurou em São Paulo. Levei-o a conhecer o Allianz Parque e em troca ele expôs alguns detalhes do projeto. Já na época alguns detalhes me chamaram a atenção. Mas só tive acesso mesmo as informações divulgadas publicamente. E será em cima delas que analisarei alguns pontos positivos do projeto e alguns pontos que talvez mereçam maior atenção dos projetistas.

No Brasil, no brasileirão, médias acima de 40 mil pessoas por jogo, após 1990, só foram atingidas apenas pelo Atlético-MG e Flamengo, mas não ultrapassaram 42 mil.

A Capacidade do Estádio e a Média de Público

Talvez o apaixonado torcedor atleticano quisesse um estádio maior, do tamanho da sua paixão. Porém em quase nenhum lugar do mundo, com exceção dos EUA, se constroem arenas com mais de 60 ou 70 mil pessoas. Nos EUA é comum construírem-se arenas com tempo de vida útil de 30 anos, coloca-la abaixo e reconstruí-la com técnicas modernas aliadas as melhores práticas de gestão atuais e novos investidores. O futebol americano movimenta números estratosféricos em questões de receitas. Isso torna comum que grandes clubes tenham médias de 90 mil pessoas por jogo. No Brasil, no brasileirão, médias acima de 40 mil pessoas por jogo, após 1990, só foram atingidas apenas pelo Atlético-MG e Flamengo, mas não ultrapassaram 42 mil. Até 2016, o Atlético-MG era o segundo maior recordista de média de público do brasileirão (9 edições) ao lado do Corinthians, ambos atrás do Flamengo com 12, pesquisa que iniciou em 1972. Em 1971, ano da conquista do campeonato pelo Galo estes dados não foram levantados. Mesmo na série B o clube obteve a média de 42 mil. A queda nas médias de público a partir de 1991 deve-se às competições com outros entretenimentos. No gráfico acima notamos que a media de público do Galo caiu a partir 1991. Fato registrado em todos os clubes brasileiros. Analisando o tamanho do projeto para 41 mil pessoas o Atlético acertou na decisão. Com isso economiza-se com custos de limpeza, diminui-se o gasto de luz, água, equipes de segurança maximizando as receitas por jogo ou eventos. Especialistas na Europa e EUA ainda diriam que o tamanho poderia ser ainda menor. A questão aqui é a rentabilidade e a maximização das receitas. A maioria dos estádios no país, construídos para a copa, trabalham no prejuízo. Construir um estádio gigante para baixa média de público no Brasil é uma loucura sem tamanho. O melhor é pensar em estádios menores que possam depois crescer sem grandes reformas no futuro. No Brasil pensa-se muito em construção e esquece-se da gestão para maximar a lucratividade, o motivo principal do projeto. O grande objetivo da boa gestão é ter 90 a 100% de ocupação do estádio em todos os jogos. Uma gestão com apoio do departamento de marketing, mais parceiros para divulgação dos jogos e de revenda de ingressos podem ajudar o clube a manter seu estádio cheio, como é feito nos estádios americanos. Mais parceiros na revenda de ingressos ampliam esta média. Aqui no Brasil a revenda de ingressos fica sempre com uma só empresa que em geral, além de não facilitar o processo de venda, não investe adequadamente na divulgação dos jogos.

O faturamento anual esperado divulgado pelo Atlético-MG com a nova arena aparentemente está baixo (R$56M/ano). Um destes motivos pode ser o numero baixo de camarotes.

Número de Camarotes

Pesquisa de Amig Somoggi divulgada em Julho/2017

O projeto do Galo trouxe números em sua planta para 36 camarotes. Em torno de 900 vagas, ou seja, uma média de 25 lugares cada. Dependendo do projeto em estudos de viabilidade modernos a receita gerada pelos camarotes pode representar até 30% da receita fora a bilheteria. Uma verdadeira mina de dinheiro. A primeira impressão é que os camarotes sejam vendidos apenas para as empresas. O segredo na eficiência das vendas neste setor também está em sua popularização para pessoas com maior poder aquisitivo. E para isso recomenda-se realizar promoções regulares com descontos ou sorteio dos camarotes por jogos em grupos de sócio torcedores para que estes tenham acesso a este tipo de recurso. Para isso novamente vem o conceito da gestão. O Allianz Parque é um dos estádios que melhor concebeu sua planta no sentido de favorecer a realização de eventos, infraestrutura e maximização de receitas. Nele temos dois andares de camarotes ocupando todo o andar. Segundo Amir Somoggi, o Allianz Parque é o líder em rentabilidade nos estádios, seguindo pelo Internacional, este último perde boa parte desta renda para os investidores que o reformaram. A Renda per capita e o tamanho da cidade permite isso. Parte deste alto nível faturamento deve-se a  rentabilidade dos seus camarotes.

Estádio Capacidade Número de
Camarotes

Total de
Assentos – Camarotes
(Média)

Lugares
Em Cada
(Média)
Allianz Parque             43.713

183

2768

12 a 39
Grêmio             55.662

120

3600

16 a 40
Maracanã             78.838

110

2420

22
Arena Pernambuco             44.300

102

1530

8 a 18
Minas Arena             61.846

98

2000

18 a 64
Arena Corinthians             47.605

89

1068

12
Itaquerão             45.000

82

984

12
Arena da Baixada             42.372

76

912

9 a 16
Arena Fonte Nova             47.907

71

994

14
Beira Rio             50.128

70

1120

16
Castelão             63.903

52

2100

16 a 32
ARENA MRV             41.000

36

900

25
Corte do setor de camarotes – Imagem divulgada em alguns sites. Em vermelhor a área disponível na Arena MRV para incluir novas vagas para camarotes –

O faturamento anual esperado divulgado pelo Atlético-MG com a nova arena aparentemente está baixo (R$56M/ano). Um destes motivos pode ser o numero baixo de camarotes. O clube ainda tem tempo para reestudar sua estratégia de camarotes sem onerar a obra. Diminuir a capacidade de cada um para 8, 10 ou até 12 pessoas ampliaria sua chance de venda. O ideal para este tipo de projeto seria ampliar para até 80 ou 90 camarotes aproveitando no mesmo andar, áreas disponíveis na arena. Um dos pontos mais importantes divulgados é a venda de cadeiras cativas. O clube deseja faturar R$100 milhões de reais com a venda de quase 5.000 delas para completar o orçamento da arena. A venda de cativas vai prejudicar a venda dos camarotes, pois se perde parte do público com alto poder aquisitivo para sua aquisição. Eles comprarão as cadeiras cativas como preferência. O ideal seria não vendê-las ou vender muito pouco delas, faturando com a venda destes lugares por jogo. Segundo divulgado pelo clube, cada uma delas sairia em torno de R$25 mil. O Minas Arena tentou vender camarotes, após sua inauguração antes da copa, ao custo de quase R$14 mil/ano por pessoa em 2014, depois teve que rever sua política de preços. Já o Allianz Parque vendeu todos os 183 camarotes, depois de pronto, em pouco mais de 2 meses ao custo de incríveis R$16 a 24 mil por ano por pessoa. Hoje este valor deve ser ainda maior.

Simulação de Ampliação do
Número de  Camarotes ARENA MRV

Custo do Camarote

Estádio Por Ano
(12Pessoas)
Mensalidade Mensalidade
Por Pessoa
Arena
Corinthians
 R$199mil R$ 16,6 mil R$1,3 mil
Allianz
Parque
 R$288mil R$ 24 mil R$ 2 mil
Arena MRV
(Promocional
Valor Mínimo
Sugerido)
 R$120mil
R$10 mil R$ 833
Número
Ideal de
camarotes:
90
 Receita Mínima Esperada por ano (1200 assentos
12 lugares cada)

R$12 Milhões
Por Ano ou

R$48 Milhões
(em 4 anos)

O alto volume de empresas, o poder aquisito e a fácil localização desta Arena favoreceu esta estratégia colocando o clube na liderança de receitas entre as arenas brasileiras. O Corinthians vende seu camarote de 12 pessoas hoje por cerca de R$200 mil por ano. A futura Arena MRV tem ótima localização e fácil acesso. O Atlético poderia lançar a venda de camarotes com valores promocionais ao custo de R$10 mil reais/ano por pessoa (sim, esse seria um valor promocional) com contrato com contratos de até 4 anos, ou seja, um camarote pra 12 pessoas custaria R$120 mil por ano c/direito a 2 vagas no estacionamento. Se o Atlético ampliasse  sua  oferta para  90  camarotes, usando  áreas  livres disponíveis (segundo mostrado na planta que foi divulgada) pelo menos para 1.200 lugares com capacidade média de 12 lugares, o clube teria mais facilidade para vendê-los podendo arrecadar cerca de R$12 milhões/ano ou quase R$48 milhões em 4(quatro) anos e utilizá-los no pagamento do estádio. Isso diminuiria a necessidade da venda de cativas. Muitos podem criticar a idéia e comentar sobre a dificuldade na venda dos camarotes em épocas de crise. Alguns vão dizer que isso não vende. Estão errados. Quem pode pagar quer conforto. Mas entrar com valores promocionais junto de outros benefícios (estacionamento e catering), pode ajudar o clube a conseguir 100% das vendas.

Se o Atlético ampliasse  sua  oferta para  90  camarotes, usando  áreas  livres disponíveis (segundo mostrado na planta que foi divulgada) pelo menos para 1.200 lugares com capacidade média de 12 lugares, o clube teria mais facilidade para vendê-los podendo arrecadar cerca de R$12 milhões/ano ou quase R$48 milhões em 4(quatro) anos

 

Em vez de vender quase 5.000 cativas o clube poderia pensar em vender no máximo 1.000 mil delas arrecadando quase R$25 Milhões, podendo transformar as cadeiras restantes em assentos VIP, ampliando em muito a receita do clube por jogo. O restante dos R$25 milhões valores poderiam ser cobertos facilmente por patrocínios Naming Rights setoriais, venda de camarotes por evento e cadeiras especiais em grandes eventos e etc. Dessa maneira o clube ampliaria muito sua receita, evitando perder renda ou capacidade da arena. Talvez no futuro, o BMG perceba que os Naming Rights Setoriais são um ótimo negócio, aliado a outras estratégias de marketing que falarei aqui em outros artigos e perceba isso pode ser melhor para ele e para o Clube. Outro detalhe que poderia ajudar na estratégia de vendas dos camarotes atleticanos é a possibilidade de utilizá-los como escritório. A região é carente de salas comerciais e o local pode sim ter um pequeno movimento comercial fora dos jogos de futebol. Os torcedores que alugaram alguns camarotes especiais para jogos poderiam ter o direito a utilizá-lo em horário comercial até para reuniões comerciais. O Grêmio pensou nesta estratégia desde o início. Estes locais referenciados na planta poderiam atender a esta demanda. Mas este será um assunto para outro artigo.

Estacionamentos

As vagas de estacionamento propostas são boas para este tamanho de estádio e investimento feito. É importante lembrar que o clube ainda tem várias áreas livres descobertas em torno do estádio para oferta de novas vagas como é feito até em estádios novos como da Juventus, na Itália, onde a maioria das vagas é descoberta.

Vagas de Estacionamento
Estádio Vagas
Minas Arena 2925
Allianz Parque 2900
Arena Corinthians 1900
Maracanã 556
Arena do Grêmio 2600
Beira Rio 5000
ARENA MRV 2600

Resumo: Análise do Projeto Arquitetônico

Pontos Positivos

Avaliação

Capacidade
do Estádio

Perfeita

Vagas de
Estacionamento

Muito boa

Pontos de Atenção

Avaliação

Número de
Camarotes

Diminuir a capacidade de cada
para 12 lugares
Aumentar oferta de 36
para 90 camarotes

Venda de
Cativas

Diminuir venda para 1.000
cativas ou suspender a venda

Fonte:
Por Márdel Cardoso
é gerente de projetos, diretor da Arenaplan, pioneira na tecnologia Cashless para estádios e soluções de ponta para automação comercial. É gerente de projetos. Tem experiência na realização de vários estudos de viabilidade para arenas. Bacharel em C.Computação-PUC-MG, MIT-Master Information Tecnology-FIAP-SP, Marketing Esportivo-Uniara-SP e Gestão de Arenas Multiuso- Trevisan-SP. Autor de 2 livros. Foi professor durante os últimos 17 anos na Fasp, Fiap e Uninove em São Paulo em Gestão de Projetos e Empreendedorismo. Leciona hoje cursos de Gestão de Projetos PMI e Gestão de Projetos Preparatório de Estádios para Vistoria. Mentor do primeiro e maior evento de gestão de estádios e arenas no Brasil: o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas.

Receitas com estádios dos clubes brasileiros caíram pela primeira vez em 5 anos

Por Amir Somoggi

Ao longo dos últimos anos venho analisando o desempenho dos times brasileiros com as receitas geradas com seus jogos.

Para analisar esse dado considero as receitas geradas com bilheteria, sócio torcedor e outras explorações do estádio/arena, no caso de alguns clubes que disponibilizam essa informação.

Esse modelo de análise adequa o mercado brasileiro ao que já se faz há décadas no mercado europeu e norte-americano, com o conceito de matchday revenue.

Depois de uma forte expansão nos últimos anos com as novas arenas, o mercado no Brasil sofreu sua primeira retração em cinco anos.

Em 2015, todo o mercado de clubes faturou R$ 795 milhões com os estádios, valor que caiu 8% em 2016 atingindo R$ 735 milhões.

Estes números poderiam ser maiores não fosse a ausência de informação das receitas de clubes importantes, como Corinthians e Grêmio, que não disponibilizam dados de bilheteria. Ambos, por conta de seu modelo de parceria para a gestão de suas novas arenas não ingressam recursos de bilheteria.

O clube que mantém a liderança no ranking de receitas com estádio é o Palmeiras, que faturou R$ 103,9 milhões em 2016, queda de 13% em relação a 2015. Em 2014 as receitas do clube eram de apenas R$ 35,1 milhões.

Em segundo ficou o Internacional com faturamento de R$ 75,3 milhões, redução de 11% na comparação com o ano anterior. Chama a atenção o clube gaúcho ter caído para a segunda divisão, mesmo com esse volume elevado de receitas.

Em terceiro no ranking aparece o São Paulo com R$ 68,3 milhões, aumento de 7% em relação a 2015. O tricolor é único clube que mesmo sem mandar suas partidas em uma nova arena consegue se manter no topo dos clubes que mais faturam com seus jogos no Brasil.

Na quarta posição ficou o Flamengo com R$ 65,8 milhões, com redução de 10% na comparação com 2015 quando gerou R$ 73,3 milhões.

Na sequência aparece o Grêmio com R$ 53,0 milhões, aumento de 15%, Atlético-MG com R$ 47,1 milhões crescimento de 24% e Atlético-PR com receitas de R$ 42,3 milhões, evolução de 17%.

Os dois Atléticos e o Grêmio foram os clubes que apresentaram os maiores crescimentos com seus jogos no Brasil no ano passado.

Chama muito a atenção a queda acentuada do Cruzeiro, que em 2014 faturou R$ 85,8 milhões e liderou o ranking e no ano passado gerou apenas R$ 31,4 milhões com seus jogos.


A queda nas receitas do mercado em 2016 foram causadas por vários motivos.

O primeiro deles foi o fim do efeito novidade das novas arenas, já que muitos clubes naturalmente viram suas receitas caírem, mesmo com bom desempenho.

O segundo fator foi a crise do país, que afetou o poder de consumo dos torcedores, especialmente na aquisição de ingressos.

Outro motivo foram os problemas de alguns clubes com o local de seus jogos, como o caso do Flamengo e Fluminense, que viram suas receitas caírem por problemas com o Maracanã e o Botafogo com o estádio Nilton Santos.

E finalmente o problema crônico do futebol brasileiro, já que os ganhos com os jogos estão intimamente ligados ao desempenho dos times nas competições.

Fator que somente vai ser resolvido com a presença da venda antecipada das cadeiras, como escrevi aqui na semana passada.

Distância para a Europa é brutal.

O mercado global de exploração de arenas movimenta mais de R$ 160 bilhões por ano.

O mercado brasileiro representa irrisórios 0,46% do total.

Uma gota em um oceano de gigantescas receitas. Manchester United é o clube que mais fatura com estádio na Europa e gera mais de R$ 480 milhões por ano. Na sequência aparece o Arsenal com R$ 468 milhões, Real Madrid com R$ 425 milhões e Barcelona R$ 425 milhões.

Apenas dois clubes da Europa movimentam muito mais dinheiro com seus estádios do que todos os clubes brasileiros juntos.,

Perdemos de goleada!

Fonte: Lance!
https://futebolpensadoblog.wordpress.com/2017/07/02/receitas-com-estadios-dos-clubes-brasileiros-cairam-pela-primeira-vez-em-5-anos/

Corinthians arrecada em 2016 menos da metade do que projetou na Arena

A meta para 2016 foi reduzida para R$ 127 milhões, de acordo com a proposta orçamentária apresentada em dezembro de 2015, mas o estádio arrecadou pouco mais de R$ 80 milhões até agora e deve fechar o ano em cerca de R$ 90 milhões brutos, 30% abaixo da meta e menos da metade da projeção inicial.

LEIA MAIS: Construtora nega perigo à torcida na Arena Corinthians após vazamento

Desse valor, são descontados cerca de R$ 2,5 milhões gastos por mês com manutenção.

Além dessas despesas, o clube tem de pagar R$ 5 milhões por mês para quitar o empréstimo do BNDES. Tem prazo de 12 anos para isso. Mas o Corinthians renegocia com a Caixa Econômica Federal, banco público designado para repassar o valor, a extensão da carência – que era de 19 meses, ao contrário dos 36 meses dados a outros estádios do programa ProCopa (linha de financiamento do BNDES para as obras).

– Todas as arenas que utilizaram o programa ProCopa do BNDES têm 36 meses de carência, e o Corinthians teve só 19 meses de carência. Solicitamos extensão de 17 meses e iniciamos a negociação por isso – afirma o diretor financeiro do Corinthians e do fundo que administra a arena, Emerson Piovezan.

– Começamos a fazer a gestão da arena no começo de 2015 porque em 2014 estava locada à Fifa, com as arquibancadas móveis, terminou a Copa teve de desmontar. Tudo isso atrapalhou. A gente não tinha como fazer uso adequado da arena. Isso nos levava a um problema de dificuldade na busca de receita para honrar as PMTs (Pagamento Mensal das Prestações) que estamos falando. Só que o prazo da carência já corria. A Caixa se sensibilizou e a partir daí passamos a discutir vários outros pontos – completa o dirigente.

Piovezan explica que a presença da torcida na arquibancada é muito boa, mas se esperava mais receitas com cadeiras e camarotes.

A gente alcançou muito pouco (da meta). Nossa capacidade de geração de receita é boa, só que em função dessa realidade do país não conseguimos explorar tantas propriedades
Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, sobre a arrecadação

– A gente alcançou muito pouco (da meta). Nossa capacidade de geração de receita é boa, só que em função dessa realidade do país não conseguimos explorar tantas propriedades. Nós tínhamos uma meta de R$ 127 milhões em 2016, atingimos até o momento R$ 80 milhões, R$ 90 milhões, incluindo bilheteria. O que acontece? Essa engenharia financeira parte de alguns princípios: quanto tem capacidade de arrecadação a arena? A meta é R$ 70 milhões ou R$ 80 milhões de bilheteria, o resto de outras propriedades. Neste ano, atingimos a meta de bilheteria, mas não explorando as outras propriedades que é cadeira, camarotes.

Com a negociação, foram suspensos pagamentos de parcelas até abril. Desde maio, o clube paga somente os juros correspondentes à dívida, ficando com duas parcelas a serem incorporadas à negociação no futuro próximo.

Alguns fatores limitam a receita e travam a engenharia financeira projetada pelo Corinthians.

1) A principal delas é a venda do naming rights, que deveria ter sido fechada até fevereiro de 2012 e que renderia R$ 400 milhões em 20 anos (R$ 20 milhões por ano);

2) O clube também não consegue negociar outras propriedades do estádio. Dos 89 camarotes, apenas 14 estão alugados;

3) O aluguel de cadeiras especiais (as chamadas PSL) também é decepcionante. Das 9,6 mil, foram vendidas menos de 3 mil.

A prometida venda dos “naming rights” empacou. A diretoria não admite má gestão e culpa a crise financeira no país

O clube não admite má gestão e culpa a crise financeira no país. É o que diz o ex-presidente Andrés Sanchez.

– Não está vendendo camarote como a gente pensou que ia vender, aí entra o problema econômico do país. O país era um, agora é outro. Não se vendeu as dez mil cadeiras (9,6 mil) que tinha pra alugar, só alugou duas mil e pouco; dos 89 camarotes só vendeu 12 ou 13… Então, só com isso aí você deixa de arrecadar R$ 50 milhões, R$ 60 milhões por ano. Infelizmente, o país é outro. Não no custo da obra, na venda dos ativos do estádio, caiu bastante – diz Andrés, que ainda participa da administração da Arena Corinthians.

O prazo para quitar a dívida do estádio, que já custa R$ 1,2 bilhão incluindo juros, é 2028. Antes disso, o Corinthians espera atingir o “mundo perfeito”.

– O que viria a somar e muito é no dia que nós quitarmos o estádio, toda receita que o estádio gerar, é uma coisa só, vira caixa único. Não sei se vamos levar cinco, sete ou dez anos para atingir isso, mas quando acabar, o Corinthians passa a ter uma nova receita, bilheteria… Seria o mundo perfeito – diz o presidente Roberto de Andrade.

– Eu, como corintiano, sempre sonhei ter um estádio. O estádio custou caro e nós temos de pagar. E acreditamos que, com a força da nossa torcida, vamos pagar. É uma questão de adequar a forma de pagamento. Quando o estádio estiver totalmente pago, será de grande importância para o clube. Imaginem uma receita (líquida) com mais de R$ 100 milhões por ano para o clube só com o estádio – completa Emerson Piovezan.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2016/11/corinthians-arrecada-em-2016-menos-da-metade-do-que-projetou-na-arena.html

2o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas aconteceu em São Paulo com grande sucesso

Aconteceu com grande sucesso nesta última quinta-feira em São Paulo, o 2o Fórum de Gestão de Estádios e Arenas, evento organizado pela Trevisan Escola de Negócios e Arenaplan Consultoria. O evento busca debater os problemas atuais da gestão dos estádios brasileiros promovendo a troca de informações e novas idéias.

Nesta edição grandes nomes estiveram presentes. Além das palestras e debates, o público teve o oportunidade de conhecer a literatura especializada da Editora Trevisan e realizar um networking com os líderes da gestão de arenas no Brasil além de conhecer as novas tecnologias e tendências para o futuro, como o Cashless.

O público pôde testar, usando a tecnologia da Arenaplan, a emissão de recibos de pagamento direto em terminais de autoatendimento que ajudam a eliminar as filas com uso de cartões Contactless pré-pagos.

Rogério Dezembro, diretor de novos negócios do Allianz Parque abriu o círculo de palestras mostrando que a nova arena do Palmeiras vai sediar os jogos do clube inovará no segmento de eventos na capital paulista sendo um dos espaços de eventos mais utilizados na cidade. Além da modernidade do projeto ele também fez um upgrade no clube social palestrino dando benefícios extras aos sócios. Em 2013, um relatório divulgado pela Arenaplan previa que a nova arena paulista seria líder em receitas no setor. O diretor aproveitou para convidar os organizadores para realizar lá a terceira edição do evento.

A seguir houve o primeiro um debate sobre os primeiros anos de operação das novas arenas no Brasil, coordenado pelo presidente da Faculdade Trevisan, Antoninho Trevisan que criticou a organização dos jogos Olímpicos da Grécia, pois os organizadores acreditavam que o evento esportivo se pagaria sozinho,  porém o que se viu é que os turistas pouco compraram no país contribuindo para o fracasso financeiro dos jogos, um grande aviso para o projeto brasileiro.

O presidente do Maracanã, Sinval Andrade, comentou sobre os desafios de comandar todo complexo do Maracanã, hoje divididos em várias concessões. Mauro Guilherme Araújo, o presidente da Arena das Dunas, um dos projeto de estádios mais criticados antes da copa, mostrou que a arena já realizou mais de 45 eventos neste ano. Em seguida, Mauro Tostes, diretor de operações da Arena da Baixada do Clube Atlético Paranaense demonstrou o desafio de preencher 300 dias livres da agenda para realização de eventos em uma obra que ainda não foi finalizada.

A palestra de Marcus Henrique Duarte, coordenador de Ticketing & Access do Maracanã que mostrou que o torcedor hoje já pode comprar seu ingresso com facilidade pela internet escolhendo o setor desejado, melhor que a maioria dos estádios no país. A seguir houve o painel de debates sobre as empresas como parceiras, coordenado pelo diretor da Arenaplan, Márdel Cardoso. O tema do debate expôs projetos de rede de Fast Food de clubes, apresentado pelo Fernando Ferreira, diretor da Sport Food, o trabalho de gestão de camarotes da Goldem Goal, pelo seu diretor Ricardo Hinrichsen além da posição atual do grupo AMBEV, feita pelo seu gerente de marketing corporativo, Rafael Pulcinelli que procurou mostrar que o foco do grupo é o projeto de sócio torcedor.

Uma das tônicas do debate foi sobre a área de Cashless, tão amplamente utilizada pelos estádios americanos e europeus e ainda inexploradas no país. Márdel propôs que os os parceiros dividissem o investimento na tecnologia para poder explorar os hábitos de consumo do público, ampliando as receitas e melhorando a estratégia de ativações com seus clientes, em vez de deixar todo o investimento a ser feito pelo operador de catering como acontece hoje.

No período da tarde,  Mauricio Sales, coordenador do Curso de Gestão de Arenas da Trevisan, expôs o trabalho durante a copa do mundo de 2014. Em seguida houve o debate sobre as estratégias para resolver o problema da segurança nos estádios onde participaram o Maurício Balassiano, diretor de Tecnologia da Certisign, Andrey Reis, Security Specialist na Rio 2016 e Camilo D´ornelas, Gestor de Safety & Security do Complexo Maracanã. Durante o debate ficou claro que enquanto houverem torcidas organizadas os gestores precisarão criar uma esquema especial para isolar este tipo de torcedor dos outros setores do estádio comentando sobre o bom trabalho realizado no clássico entre Flamengo e Atlético-MG onde não houve um incidente sequer.

A última palestra foi de Ricardo Gomes, CEO da Sstudio Marketing mostrando que vários outros eventos esportivos podem ser realidos nas arenas, fora do futebol. O evento fechou com o debate sobre as estratégias de engajamento de público nos estádios de futebol liderado pelo Fábio Porto, Superintendente de Novos Negócios da Portuguesa. Alexandre Ferreira, novo gerente de marketing do Corinthians mostrou que a nova arena ajudou o clube a ampliar o projeto de sócio-torcedor e a média de público do clube. Porém expôs que o mercado brasileiro ainda reluta em investir em projetos de naming rights.

André Monnerat,  gerente de programas de relacionamento e marketing digital do Flamengo comentou que a torcida não abraçou o Engenhão pois sabia que aquilo era temporário, o que dificultou para o clube realizar ações no local. Jorge Avancini, diretor de marketing do Internacional mostrou que o clube já possui 3 níveis de  estratégia de preços de ingressos dependendo da importância do espetáculo, saindo a frente de muitos clubes do país.


Terminais de AutoAtendimento da Arenaplan
e Caixas Cashless


Recepção


Quase 90 presentes compareceram
durante o dia no evento

Rogério Dezembro, Diretor de Novos
Negócios do Allianz Parque

Mauro Tostes, Presidente da Arena das Dunas
e Antoninho Trevisan, presidente da
Faculdade Trevisan


Mauro Araújo, presidente da Arena das Dunas
e Sinval Andrade, Presidente do Maracanã


Jorge Avancini, Diretor de Marketing do Internacional e Fábio Porto, Superintendente
de Novos Negócios da Portuguesa

Alexandre Ferreira, gerente de marketing
do Corinthians e Andre Monnerat, gerente de programas de relacionamento digital do Flamengo

Márdel Cardoso, Diretor da Arenaplan na coordenação
de um Debate sobre Empresas Parceiras das Arenas.

Da esquerda para direita, Márdel Cardoso, Diretor da Arenaplan, Jorge Avancini, Diretor do SC Internacional e Maurício Balassiano, diretor da Certisign.

Fonte: http://www.arenaplan.com.br/forum3/index.php?option=com_content&view=article&id=41:2o-forum-de-gestao-de-estadios-e-arenas-aconteceu-em-sao-paulo-com-grande-sucesso&catid=12&Itemid=142

 

Parceira do Palmeiras, W/Torre sonda Flamengo sobre projeto de estádio

Parceira do Palmeiras, W/Torre sonda Flamengo sobre projeto de estádio

rodrigomattos

22/05/2015 08:00

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Julio Cesar Guimarães/UOL

Sonho do Fla de gerir Maracanã fica distante, o que abre espaço para alternativas

Construtora do Allianz Parque, a W/Torre procurou a diretoria do Flamengo para falar sobre a construção de um estádio. As conversas ainda são bem iniciais. Até porque o clube não decidiu qual modelo vai adotar para projeto da casa própria que se torna cada vez mais necessária com o imbróglio envolvendo o Maracanã.

Há mais de um ano, dirigentes rubro-negros têm discutido qual a melhor solução para sediar os jogos do times. Entre as alternativas na mesa estão: tentar assumir o Maracanã, firmar uma acordo com parceiros para construção de um arena, ou levantar dinheiro por conta própria.

A quase certeza de um acordo entre a Odebrecht e o governo do Estado para o maior estádio da cidade praticamente elimina a chance de o clube ter a gestão dele. Assim, ganha força a ideia de construir uma casa própria.

Diversos parceiros já sentaram à mesa para sondagens e estudos e não deram certo. Entre eles, estavam a Odebrecht, a OAS e a Luso Arenas. A primeira tem um relacionamento de altos e baixos com o clube por conta dos problemas no Maracanã; as duas outras estão com situação financeira complicada. Aí surgiu a W/Torre.

A empresa procurou o Flamengo com uma ideia de uma parceria nos moldes do que ocorre no Palmeiras. O contato foi confirmado por duas fontes da diretoria rubro-negra. Só que não houve nenhum encontro da cúpula da construtora com o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, o que mostra como a conversa está no início.

O blog tentou falar com Walter Torre que não respondeu as ligações. Ele analisa outros projetos de estádios de clube como o do Santos: houve reunião com o presidente Modesto Roma Jr.

Uma questão do estádio rubro-negro é a falta de terreno na cidade do Rio de Janeiro. A ideia de fazer uma arena menor na Gávea não andou. Há ofertas de cidades na Baixada Fluminense como Duque de Caxias, que cederiam o terreno. Neste caso, o modelo econômico teria de ser pensado já que não há grande população de alto poder aquisitivo nas redondezas.

Além da possibilidade de fechar uma parceria, o Flamengo estuda o financiamento próprio por meio de dinheiro estrangeiro. Neste caso, precisaria de um modelo com custo baixo. Mas, para isso, o clube tem que evoluir bastante em sua situação financeira para ter credenciais para obter os recursos. Fato é que, confirmada a perda do Maracanã, os rubro-negros começarão de fato a escolher seu caminho.

Fonte:

http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/06/1641108-um-ano-depois-da-copa-oito-dos-doze-estadios-da-copa-tem-prejuizo.shtml